No Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, Presidente Prudente (SP) recebe uma sessão gratuita do documentário Lendo o Mundo, que revisita as experiências de alfabetização de adultos conduzidas por Paulo Freire.
A exibição será realizada às 20h, no Sesc Thermas, como parte da itinerância da Mostra Ecofalante de Cinema pelo Sesc São Paulo.
A realização da sessão na data dedicada aos professores reforça a conexão da programação com o legado de Paulo Freire e com sua reflexão sobre o papel da educação na formação crítica e na participação social.

Dirigido por Catherine Murphy e Iris de Oliveira, Lendo o Mundo recupera as experiências de alfabetização de adultos conduzidas por Paulo Freire no Rio Grande do Norte, especialmente em Angicos, onde centenas de trabalhadores rurais aprenderam a ler e escrever em um processo que se tornaria uma das principais referências da trajetória do educador.
O documentário também reconstrói o contexto social e político do nordeste no início da década de 1960, marcado por movimentos sociais, reivindicações por reformas e profundas desigualdades no acesso à educação.
A partir das memórias de participantes dos Círculos de Cultura, de imagens de arquivo e de registros do período, a produção acompanha uma proposta de educação que aproximava o aprendizado da leitura e da escrita da participação política, dos direitos civis e da conscientização.
“Mais do que revisitar uma experiência de alfabetização, queríamos compreender o que estava por trás dela e o momento histórico em que aconteceu. Em Angicos (RN), alfabetizar também significava ampliar as possibilidades de participação e de transformação de uma população que, até então, tinha pouco acesso à educação e sequer podia exercer plenamente seus direitos políticos. Olhar para aquele período nos ajuda a entender por que a experiência de Paulo Freire ganhou uma dimensão tão maior e por que seu legado continua atual”, afirmou uma das diretoras do documentário, Catherine Murphy.

Em 1963, Paulo Freire liderou um pequeno grupo de educadores pelo Nordeste do Brasil em “Círculos de Cultura” experimentais, ensinando 300 trabalhadores rurais adultos a ler e escrever em apenas quarenta horas. O método inovador utilizava o pensamento crítico e criativo em vez da memorização e repetição. Ao contextualizar e personalizar as aulas, os educadores usavam o entorno dos alunos para ensinar vocabulário e construir significado.
Pessoas analfabetas não podiam votar, e o projeto de Freire abriu caminho para que esses trabalhadores tirassem, pela primeira vez, suas carteiras de identidade e participassem da efervescente democracia que florescia no Brasil naquele momento. Um golpe de Estado em 1964 derrubou o presidente, encerrou o programa e levou à queima dos cadernos dos agricultores. Freire foi forçado ao exílio por 16 anos, período em que espalhou sua pedagogia pelo mundo, influenciando a educação até os dias de hoje.

